
Estudantes da UFPE observam o Chevrolet Volt
A Voltxpedition esse ano passou por mais de cinco estados no Brasil, indo do Sul do país ao Nordeste. Nessas viagens, uma só certeza: existem vários Brasis dentro de um só. Todos, com a mesma preocupação: Brasil suustentável, cada mais eficiente e movido por energias alternativas. Entre elas, é claro, a Eólica, que já foi o centro da nossa viagem à Gravatai (RS) e voltou a ganhar destaque aqui em Recife (PE).
No segundo dia da Voltxpedition Recife, depois da nossa passada pela concessionária para retirar os Chevrolet Volts, viemos para a UFPE, onde o Prof. Francisco A. S. Neves, da área energia elétrica da universidade, apresentou as pesquisas que coordena na área de sistemas de energia renovável e qualidade da energia elétria.
O grupo chamado GEPAE é o responsável por essas pesquisas, que tem se destacado em diversos simpósios e convenções na área de energia elétrica. Entre essas pesquisas, estão: modelagem e controle de turbinas eólicas conectadas a rede elétrica; conversores de freqüência para conexão de sistemas fotovoltaicos à rede elétrica; condicionadores de energia elétrica (cujo pedido de patente está em andamento); determinação da vida últil remanescente chumboácidas estacionárias (para aumentar o aproveitamento destas); entre outros.

Prof. Francisco S. A. Neves
O grupo também tem desenvolvido um sistema para a Ilha Fernando de Noronha, de forma que o paraíso natural possa ser abastecido por fontes alternativas de energia e, apenas subsidiáriamente use os geradores à diesel que hoje são os responsáveis por seu abastecimento. A energia fotovoltaica (solar) será uma das principais fontes.
Com 10 anos, o grupo já foi responsável por uma tese de douturado e 16 dissertações de mestrado concluídas. Só nos últimos 5 anos foram 17 artigos publicados e 45 artigos em conferências, incluindo o prêmio de melhor artigo no ISIE (Simpósio Internacional de Eletrônica Industrial).
O Prof. Francisco levantou dados que mostram o especial crescimento a que a energia eólica vem experimentado no Brasil e no Mundo. Alemanha, Espanha e Dinamarca foram os países que mais se destacaram nesse tipo de energia na Europa, que recebeu investimentos de mais de 12,7 bilhões de euros. O país nórdico, no entanto, foi o que mais se destacou no desenvolvimento tecnológico.
Entre 2008 e 2009, a potência instalada de novas usinas eólicas superou a de qualquer outra fonte primaria para a geração de energia, e em 2010 mais de 41% do aumento de potência instalada (capacidade de gerar energia) na União Européia foi proveniente de fontes renováveis de energia. Em 2010, o crescimento foi maior que em qualquer outro ano e supera as demais tecnologias.
Segundo o professos, esse quadro não é exclusividade da Europa e se repete no resto do planeta. A China, hoje, tem a maior potência instalada de turbinas eólicas no mundo. São 42.287 MW no final de 2010. Com energia solar, a situação também é equivalente. A India, por exemplo, tem experimentado um crescimento superior ao obversado na Alemanha e Espanha.
Seguindo as previsões do mercado, em 2010 a energia eólica deve representar 12% da energia total do planeta. Aqui vale uma nota: o crescimento, em todos os anos recentes, tem superado as previsões. Não é de se espantar que esse numeres fique defasado até lá.
As energia eólica e fotovoltaica tem tido os maiores crescimentos anuais médios na ultima década (cerca de 30%), enquanto o aumento no uso da energia nuclear, gás natural e petróleo foi de 1,8%, 2,5% e 1,7%, respectivamente.
A política coerente de incentivos a produção e venda dessas formas de energia e o desenvolvimento tecnológico dos sistemas de geração e dos conversores eletrônicos responsáveis pelo controle possibilitou o crescimento considerável na produção de energia à partir de fontes renováveis, segundo o professor.
No Brasil, só para se ter uma idéia, a energia eólica já é mais competitiva que as termo elétricas nos leilões de energia e já se aproxima muito ao custo das hidrelétricas, que, até então, reinava sozinha em custo.
Porém, a produção de energia elétrica a partir de energia eólica e solar aqui no Brasil ainda é bastante reduzida. Somente depois do programa de incentivo Proinfa, é que a adição de centrais de geração eólica ganhou metas mais expressivas. Com isso, a capacidade instalada vem crescendo rapidamente. Hoje nos gráficos entre os maiores produrores, no entanto, o Brasil desaparece.
Para o professor, a população precisa ser esclarecida e incentivada e é preciso, também, políticas públicas que incentivem seu uso. O custo de um painel fotovoltaico, por exemplo, leva um tempo para se pagar e, sem incentivo, não tem condições de ganhar expressividade.
Na América do Sul o Brasil tem despontado como o mercado mais promissor para o desenvolvimento de tecnologias na área. Um dos fatores de maior incentivo é a insolação diária no Brasil, que beneficia a energia solar (fotovoltaica). No nordeste se encontram os pontos de maior insolação e, também, os melhores ventos, que ficam no Ceará e Rio Grande do Norte.

Em frente a Igreja N. S. Amparo, em Olinda
Em poucas palavras: apesar do Brasil estar um passo atrás na Potência Instalada, o enorme potencial, a quantidade de pesquisas e o custo competitivo nos fazem crer que, num curto espaço de tempo, há potencial para uma enorme expansão das energias renováveis por aqui, especialmente a eólica.
Depois da palestra na UFPE, seguimos para Olinda, para o Restaurante Oficina do Sabor. Desfrutando dos pratos típicos daqui de Pernambuco, como a Carne de Sol Pernambucana e e a Jerimum com Camarães ao Molho de Manga, encerramos mais uma etapa, que, desta vez, fecha as viagens da Voltxpedition.

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